Vergonha por que, escritor?

Mostre ao mundo suas histórias, viva pelo seu talento e seja feliz

 

“Eu suspeito que felicidade tenha a ver com a experiência da autenticidade: poder viver aquilo que se deseja e ser capaz de lidar com as tensões dessa busca”. Você acaba de ler uma frase dita pelo renomado filósofo brasileiro, Luiz Felipe Pondé, durante um bate-papo realizado pela editora Planeta no Brasil em maio deste ano. A afirmação veio acompanhada do relato de que a primeira escolha profissional dele não tinha relação alguma com filosofia, na verdade, por influência familiar, ingressou em um curso de medicina. Pouco tempo depois, ele se dava conta de que aquilo não fazia seu coração bater mais forte. Abandonou, então, a medicina para tornar-se filósofo. “Eu apostei em uma profissão que tinha tudo para dar errado e olha só o que aconteceu”, conta. Como vemos, Pondé optou pela felicidade e pelo seu talento. O resultado satisfatório veio porque é isso que acontece quando nos dedicamos ao que amamos e deixamos o medo e a vergonha de lado. Inevitavelmente isso nos faz refletir sobre a carreira de escritor e todos os paradigmas, estereótipos e crenças enlaçados a esse tema.
Há muitos autores escondidos por aí! Você é um deles? Muitos sentem vergonha não apenas de mostrar suas criações, mas até de contarem que escrevem. Apoderam-se de suas gavetas como verdadeiros cofres para suas histórias e escudos de seu talento. Fazem-no sem perceber que, na verdade, trancafiam sua própria autenticidade e, portanto, felicidade. Mas por quê? Até quando?
Além de conflitos pessoais, esse medo tem raízes históricas. A maior parte da literatura consumida pelo brasileiro é fruto de importação – o que não é uma crítica – mas isso tem fortalecido a ideia de que, em nosso país, escritores não alcançam sucesso, nem são talentosos. Unido a esse fato, há pouco tempo havia uma grande valorização da alta literatura e um forte preconceito com a literatura de entretenimento, opiniões que, por sorte, estão se transformando.
Fato é que escrevemos para sermos lidos. Embora o medo e a timidez nos sondem, essa é a única maneira de transformarmos vidas a partir das nossas histórias. Manuscritos engavetados são desertos escuros e silenciosos, como tesouros empoeirados. Portanto, se escrever é a sua verdadeira paixão, desprenda-se hoje daquilo que te impede de contar aos amigos, aos familiares e aos desconhecidos que em seu coração há uma morada de personagens.
Lembre-se: nenhum autor best-seller nasceu sabendo escrever, o aperfeiçoamento é resultado da prática, pois todo talento deve ser lapidado. Por isso, embora a crítica seja dolorosa muitas vezes, ela é o único meio pelo qual evoluímos. Como mencionado por Pondé, a felicidade vem não apenas quando conseguimos viver o que desejamos, mas também ao enfrentamos com firmeza todos os desafios relacionados a essa escolha.
Hoje eu quero te despertar para sua própria alforria, liberte-se do medo e da vergonha. Mostre ao mundo o que você sabe fazer de melhor e surpreendentemente encontre-se com a felicidade. Como impulso de coragem, deixo um trecho do livro “Vivências de Coaching: Encantadora de Vidas”, da Coach Andrea Deis, projeto no qual participei como revisora de texto. Esta constatação mudou a minha vida e poderá mudar a sua também:
“Se não explorarmos nosso talento, a punição vem, por falta de reconhecimento e pela não conquista do que gostaríamos de ter”.
Portanto, vá em frente e boa sorte!

 

Referência bibliográfica: DEIS, Andrea. Vivência de Coaching: Encantadora de Vidas. São Paulo: Trevisan Editora, 2018.

 

Sobre Larissa Molina 4 Artigos
Larissa Molina é jornalista, escritora, revisora e ghost writer. Por acreditar no autor nacional, criou um Canal no YouTube, o qual leva o seu próprio nome, para conversar com esse público e também com seus leitores. Ela escreve histórias desde seus 12 anos e, em dezembro, realizará o sonho de ver um de seus romances impresso e nas livrarias.