Indústria brasileira surpreende e tem pior julho em 4 anos

A produção industrial brasileira contrariou expectativas e encolheu em julho, no terceiro mês seguido de queda e no pior desempenho para o mês em quatro anos, indicando um começo de trimestre ruim para o setor.

Contra um ano antes, a produção recuou 2,5%. O dado de junho foi revisado para pior, passando a mostrar contração de 0,7% sobre maio, ante queda estimada anteriormente de 0,6%.

Tanto na comparação mensal quanto na anual os números de julho vieram piores que o estimado por analistas consultados pela Reuters: alta de 0,3% sobre o mês anterior e queda de 1,3% na base anual.

O recuo de 0,3% em julho é o pior para o mês desde 2015 (-1,8%), enquanto o de 2,5% é o mais forte também para o mês desde 2016 (-6,1%).

“Do jeito que anda a indústria provavelmente vai fechar o ano em queda, dado o cenário doméstico acrescido da crise da Argentina e do cenário global”, disse o economista André Macedo, do IBGE, que divulgou os dados.

No acumulado de 2019, a produção acumula baixa de 1,7%. Em 12 meses, a indústria recua 1,3%, indicando perda de ritmo, já que no período até junho a contração havia sido de 0,8%.

Segundo o IBGE, a trajetória da indústria pela métrica de 12 meses tem sido “predominantemente descendente” desde julho de 2018, quando em 12 meses a produção acumulava alta de 3,2%.

“A indústria hoje produz o equivalente a janeiro de 2009. São dez anos de distância. É um sinal importante”, afirmou Macedo.

A pesquisa Focus do Banco Central divulgada na véspera mostrou que analistas preveem uma atividade praticamente estagnada na indústria em 2019, com crescimento de apenas 0,08%.

(Créditos: Agência Reuters)