O maior tesouro da vida: Você sabe qual é?

Qual é o maior tesouro de nossa vida? O presente, é claro! 
 
Ele nos trás, a cada novo segundo de nossas vidas, uma nova oportunidade então. É exatamente por isso que não precisamos lamentar o que já foi. Você pode tentar de novo, se não ficou satisfeito com os resultados passados. 
Concorda que é desperdício de tempo sentirmos culpa? Preocupação. Se preocupar, como a própria palavra já diz, é apenas uma pré-ocupação antes de alguma ação. Preocupação é apenas a mente, mentindo pra gente. Ela não resolve e não nos trás resultados positivos. Você não vai mudar o que já foi, e o que virá te cobrará uma nova postura, certo?
 
Não dá pra esperar colher novos frutos, se tudo o que a gente planta, todos os dias, for mais do mesmo. A culpa pelo que já foi, trás tristeza, depressão. Um sentimento interminável e que só nos faz continuar errando no presente. Se você já se sente mal pelo que já foi, não perca tempo lamentando, pois o tempo está aí presente pra você fazer diferente agora; enquanto você está distraído, pré-ocupado pensando porque agiu daquela forma no passado. Enquanto vive essa tristeza, você está plantando mais tristeza, e esse ciclo não passa nunca, até chegar um momento em que você olha pra fora e diz pra você mesmo: as coisas são mais fáceis para os outros, e pra você tudo parece muito mais complicado.
 
Eu não acreditava, e achava chato quando ouvia alguém falar sobre as crenças limitantes, mas realmente são elas que constróem a nossa vida, todos os dias. O que você acredita se torna físico em sua vida. O universo só sabe dizer sim. Pois você é merecedor e co-criador. Então, tudo o que você deseja com todo o seu coração, vem até você. Não tem como fugir. É uma lei universal. É física! 

Por muito tempo eu fiquei brincando com a lei da atração e me irritava porque algumas vezes eu até conseguia, mas outras, eu apenas ficava frustrada. É claro! Eu mantinha pensamentos duros, que não saiam dos pensamentos. Eu ficava repetindo várias vezes seguidas que queria ver uma nota de 100 reais pelas ruas. Quem nunca? Mas, nunca aparecia. Por que isso acontecia? Porque simplesmente eu não acreditava no que estava pensando e pronunciando, então o que o Universo me trazia era a falta daquilo que eu pedia. O universo detecta os nossos sentimentos, a nossa energia. Eu demorei pra entender isso, e quando entendi, ainda assim tive dificuldade. Não é do dia pra noite. 
 
Os nossos pensamentos não param de funcionar. Eu acredito realmente que somos seres multi-dimensionais, e não apenas seres humanos, e vou dizer o porque bem claramente: em planos mais evoluídos, eles fazem tudo na velocidade da luz. E nós, temos as nossas limitações aqui, certo? Quem disse? Quem nos disse que temos limitações? Nossos pensamentos? Nossos ancestrais? Nossos pais? Os amiguinhos no colégio? A sociedade? Então por que os nossos pensamentos funcionam na velocidade da luz? É tão sério isso que se você parar pra escrever tudo o que se passa na sua mente, você não será capaz de fazer isso. 
 
Nós escolhemos passar pela experiência de estarmos num corpo físico, e cada um tem seus motivos. Mas, não é sobre isso que vou falar. E, o nosso corpo sim tem limitações, mas o nosso poder de imaginar, sentir e trazer pro físico, esse sim é imenso e ilimitado; e isso é a prova de que tem algo a mais. É claro que tem. Como somos capazes de tantos pensamentos em apenas alguns poucos segundos? E se a gente imagina na velocidade da luz, podemos criar também. Não existem limites para imaginar.
 
Eu sempre quis criar algo diferente e procurei fora de mim, durante anos e anos. Queria fazer algo que ninguém ainda havia feito. Quem não quer, né? Ainda mais quando se é jovem. Mas, procurando fora, acabei me distraindo e nunca encontrando o que já morava dentro de mim desde sempre. O que a gente vem fazer no mundo, vem com a gente, e só precisa ser descoberto; mas não olhando para fora. É preciso silenciar mais, prestar atenção no que a gente tem vontade, e simplesmente, fazer. Mas, percebo muitas pessoas perdidas entre os desejos do ego e do coração. 
 
Tem muitas coisas que queremos fazer apenas pra impressionar os outros, e na maioria das vezes é pra nos mostrarmos capazes pro outro, porque um dia nos foi dito que não éramos capazes de tal coisa. E isso virou uma crença poderosa, e essa crença direciona a nossa vida hoje. Nossos propósito de vida, nossos maiores sonhos. Esquece tudo isso. Quando a gente tenta pensar grande, a gente se perde. E é difícil demais voltar. Quando não achamos as respostas para nossas perguntas, nos diminuímos e nos comparamos com o outro. E ao nos comparar perdemos sempre, até porque comparamos os nossos bastidores com o palco do outro. Então fica um pouco óbvio que vamos perder.
 
A coisa mais importante que precisamos sentir e não pensar, é o que queremos fazer agora. Eu sei que em alguns casos é um pouco mais difícil, pois infelizmente ainda somos escravos de um sistema capitalista e então muitos de nós ainda trabalha no formato tradicional pra sobreviver. Mas sabe por que? Porque o nosso foco é sobreviver e, a nossa vida acontece exatamente na direção em que colocamos o nosso foco. Não estou dizendo para você mudar de uma vez. É nos pequenos passos, que as grandes mudanças acontecem. Pode ser que você precise passar por uma transição, antes de conseguir fazer o que realmente gosta. Tenha paciência, pois não é sobre magia, mas eu juro que a vida pode se tornar mágica se você simplesmente, em alguns momentos, começar a inserir doses pequenas do que gosta de fazer em seu dia a dia.
Todo mundo sabe, no fundo, responder o que realmente gosta. Mas, não pense grande, não. Aliás, não pense. Respire, feche os olhos, e deixe vir. O que você quer fazer agora? E não valide a sua resposta. Não ria dela. Me lembro de uma vez em que perguntei isso pra uma amiga, e ela respondeu: Ah, viajar. É o que eu amo fazer. E imediatamente ela começou a rir dela mesma, e falou: isso não vale né? Eu sei. Quem não gostaria de viver a vida viajando? E eu respondi: muita gente. Eu por exemplo, não gostaria. Se eu viajo por mais de 10 dias, me canso e quero logo voltar para minha rotina que eu amo tanto. A minha casinha, minha comida, minhas cachorrinhas, tudo o que é meu, disponível para mim 24 horas do meu diaQuando viajo tenho peças de roupas contadas, não durmo na minha caminha que eu gosto tanto, enfim.
Eu amo viajar, mas não gostaria de viver a minha vida viajando, e tem muita gente que gostaria. Ou seja, não valide o que você gosta. Porque se você gosta, você veio para a terra para fazer exatamente isso. Seja qual for o seu gosto. Se aceite do jeitinho que você é. Não se culpe se por acaso você cansar de algo, e quiser mudar tudo. Você pode. Você sempre pode. As certezas que temos são: a de que um dia a vida aqui vai acabar; e a outra, que quando cansarmos do caminho que estamos seguindo, podemos reescrever a nossa história. E, às vezes, você pode estar apenas cansado. Então vale a pena descansar antes de decidir se deve ou não mudar a direção. E por pior que seja o que você já viveu até hoje, você tem o presente. 
 
Liberte-se da culpa. Se dê, todos os dias, mais uma oportunidade, porque o Universo nos dá, o tempo todo. E você? Tá se dando novas oportunidades? Se não conseguir fazer tudo o que tinha pra fazer no dia, inspira, expira, e não pira! Quem nunca ouviu isso? E se você nunca ouviu, repita pra você mesmo: “Eu nunca ouvi isso”. Você não precisa saber tudo. Você não precisa ser o melhor nas coisas que faz. Você só precisa ser você. Se conhecer todos os dias. Tem muita coisa que você não sabe sobre você, sabia? Sempre tem, até porque todos os dias aprendemos coisas diferentes, embora não percebamos. Cada segundinho a mais vivido nos trás novas experiências. Cada pessoa que passa por nós, deixa um pouquinho dela e isso vai nos moldando. A gente muda todos os dias, um pouquinho. Por isso, a importância de dormirmos, pra que os aprendizados sejam inseridos em nossa alma, cada aprendizado em seu lugarzinho. Para que possamos ser cada vez melhores guiados por nós mesmos. Tudo o que a gente já aprendeu até hoje, em outras vidas, em outros tempos e espaços, fica registrado em nossa alma, em nosso espírito. E por isso, você pode confiar plenamente em você, em suas intuições, nos pedidos do seu coração.
 
E pra validar se é o coração ou desejos do ego, você já sabe, né? Reflita se são desejos saudáveis ou se esses desejos podem prejudicar outras pessoas, ou você mesmo. O nosso corpo é o nosso templo, escolhido por nós mesmos. O nosso lar. E toda vez que o nosso coração fala com a gente, mas não escutamos, ele passa a bola pra alguma parte do nosso corpo físico, em forma de dores ou doenças. E aí, somos obrigados a parar, pra cuidar de nós mesmos um pouco. Mas saiba que todas as dores físicas são palavras não ditas. 
 
Fomos ensinados que pra vivermos bem em sociedade não poderíamos ser nós mesmos, porque se fossemos, causaríamos alguns tumultos. Mas, prefira os tumultos, pois eles resolvem muitas situações. Não acredite e nem confie naquelas pessoas que você vê que sempre estão bem. Aliás, são essas, as que mais precisam de amor. Pois, quando estamos bem com nós mesmos, não precisamos mostrar que está tudo bem. Quando somos seguros, não precisamos nos mostrar para os outros, entende?
 
Ninguém é perfeito, e todos nós temos questões a serem resolvidas, senão não estaríamos aqui, definitivamente. Não se culpe quando não quiser participar de algum evento, ou quando não tiver afim de fazer algo e isso possa chatear alguém. 
Chegou a hora de você se agradar, cuidar de você, fazer as suas vontades, se dar alguns mimos durante o dia. Antes, pensávamos se eles gostariam de nós, e agora chegou o momento de pensarmos se nós gostamos deles. Você quer estar aonde você está? Você quer sair com essa pessoa que esta saindo agora? Você quer mudar mesmo seus hábitos alimentares? Você quer fazer academia, ou faz porque todo mundo faz? E porque você acha que precisa ter um corpo igual ao das meninas de revistas? Só não se esqueça: todo rostinho lindo de revista também chora, e tem suas dores, fraquezas, dúvidas, dilemas, e alegrias também. Todo rostinho lindo, um dia envelhece, e aí? O que você terá feito em sua vida? Terá vivido uma vida com sentido, ou apenas viveu pra agradar aos outros? 
 
Ninguém gosta de estar perto de quem parece perfeito, pois isso nos faz entrar em contato com as nossas imperfeições, percebe? Você quer que as pessoas se afastem e se sintam bem com você? Quando você se cuidar, e começar a fazer as coisas para você, sem pisar nos outros, você não vai mais precisar se mostrar perfeito por aí, e então a sua presença se tornará muito mais agradável. E com certeza, você estará fazendo muita diferença na vida de cada um que você passar. Quando você encontra alguém, o que você tem medo que percebam em você? Que você esta feia? Que tem verruga? Que seu cabelo está feio? Que suas celulites estão muito fortes? Ou que esta gordinha demais?
 
E se você mudar esses pensamentos para pequenas vibrações enquanto estiver diante de alguém? Já fez isso? Quando estiver olhando para qualquer pessoa, deseje com o seu coração coisas como “Que o dia dela seja incrível hoje”, “Que ela possa receber uma grande notícia hoje”, “Que ela sinta paz”. Ou, ao invés de pensar, apenas sorria, e envie através de seu olhar, sentimentos bons. Será o suficiente. E você estará fazendo uma grande coisa pro nosso planeta, sabia? O que a gente faz aqui, reflete do outro lado do globo. É como aquele dominó que a gente esbarra e vai caindo uma pecinha de cada vez, até todas serem derrubadas. E se essa for uma corrente do bem? E se ao invés de derrubar, pudermos influenciar positivamente outras pessoas?
Esses dias, minha mãe veio me contar que um fornecedor cobrou muito caro um serviço que ela orçou, e ela “chorou”, como todo brasileiro. Ela tentou negociar, claro. Mas, não teve jeito. O cara tava firme. Um dia depois, minha mãe me ligou me dizendo que ele tinha ido em sua igreja, e pensou muito nela, que a vida é curta, e que ele quer muito fazer coisas boas pelas pessoas. E então disse a ela que toparia fazer o serviço por um valor muito menor. Ela tinha orçado com muitos outros prestadores de serviços, e todos eles disseram que ela não conseguiria o valor que queria. Pois, ela conseguiu. Milagre? Cada um chama como quiser. 
 
Você pode deixar esses acontecimentos passarem por sua vida e lidar como sorte, ou olhar pra eles, e perceber que eles são reflexos do que você tem enviado pra vida. Sempre retorna para você. Minha mãe, provavelmente, foi legal com alguém, em sua vida, e isso retornou à ela. Eu fiquei tão feliz em como existem pessoas boas ainda, sabe? Milhares mesmo. Todos os dias, eu vejo pessoas tendo atitudes de verdadeiros anjos. E olha só, a historia não terminou. A melhor parte, é que fiquei tão feliz, que eu também levei um dia leve, e quando um cliente meu pediu desconto em meu trabalho, é claro que fui maleável. Naquele dia, eu deixei o troco com o cara da padaria, abracei minha namorada bem forte, elogiei minha mãe por ter sido uma ótima negociadora, e todos saíram ganhando. O cara que ficou com o troco na padaria? Ele pode ter deixado o menino que quis um chocolate e não tinha dinheiro, levar o produto mesmo sem ter o suficiente para pagar. O menino saiu feliz e fez carinho no cachorro. Alguém estava passando na rua, dirigindo seu carro, triste com alguma coisa ruim que havia acontecido, pediu um sinal pra Deus, e se ele estava atento a rua, viu aquela cena do menino com o cachorro. Imediatamente, viu que os anjos conversaram com ele ali, e saiu feliz, chegou em casa e agradou sua esposa, que se sentiu amada, e enfim. Essa história não tem fim. Efeito dominó. Mas, precisamos estar atentos no presente para ver e sentir, principalmente, esses sinais.
Esses dias li uma carta psicografada com uma linda mensagem dos metres espirituais, e eles disseram uma coisa muito importante, aqui adaptada em minhas palavras: não importa o que você faz, o que você pensa. O que realmente importa é o que você sente. Você vai viver hoje, aquilo que você sentiu ontem. Cuide de como você se sente. Porque é isso que direciona a sua vida. Se você faz muito bem ao próximo, mas seu coração está distante, sofrendo por algo, o que o Universo entende é a energia que você exala. O universo não fala a nossa língua, mas entende perfeitamente os nossos sentimentos e nos dão “sim” sempre. Como você se sente? Se a resposta é algo negativo, procure inserir em seu dia a dia, pequenas doses de coisas que te faz bem.

O sentimento da alegria e da gratidão são os mais fortes, e atraem mais felicidades e abundâncias para a sua vida. Mas, não adianta agradecer, agradecer, se você não sente isso com todo o seu coração. Depois que entendi isso, percebi então o porque de tudo o que pronunciei por tanto tempo, e não consegui. E porque outras coisas vinham tão rapidamente para mim. Não é sobre pensamento, é sobre sentimento.
 
Aqui vão algumas pequenas dicas, já testadas e aprovadas, por mim, para que você possa se tornar mais presente em seu dia a dia:
 
1. Faça devagar tudo o que for fazer.
2. Faça menos coisas por dia.
3. Respire entre as tarefas. Isso vai te ajudar a ser muito mais eficiente em cada ação que for realizar.
4. Medite todos os dias. Não tem regra. Comece com pequenas meditações, de 1, 3, ou 5 minutos. É  Importante lembrar que não existe “meditar errado”. Basta prestar atenção em sua respiração e em seus pensamentos. 
5. Escreva o que  você sente, todos os dias, se puder. Ajuda a tirar de você, mas é importante que seja a mão e a lápis, pois o carbono libera energia mais facilmente. 
6. Repense sobre o que é necessário em sua vida, desde relacionamentos, até mesmo roupas, sapatos, e aquela bagunça na gaveta. Aproveite pra limpar, doar, vender o que não usa mais. 
7. Procure sorrir mais pra estranhos. Você pode também fazer o bem pra alguém e iniciar uma pequena corrente, como pagar a conta da pessoa de trás pagar o pedágio pro carro de trás, enfim. Saiba que sorrir para as pessoas na rua já é um grande passo. 
8. Separe na sua agenda, todos os dias, um espaço para fazer algo que goste. Pode se olhar para o céu por alguns minutos, ou tomar um sorvete, fazer uma caminhada, conversar com um amigo, ligar pra sua mãe, ver um filme de comédia.
9. Passe mais tempo sozinho. Ou faça alguma coisa com você mesmo. O que você gosta de fazer com seus amigos? Família? Faça sozinho também.
10. Escreva uma lista das coisas que você tem vontade, mas tem medo. Depois disso, escreva porque você tem medo de fazer tais coisas.
11. Escreva, se possível, todos os dias, uma lista da gratidão. Escreva o quanto quiser. 
12. Escreva tudo o que você faria se ninguém precisasse saber, se você não precisa se expor, ou postar nas Redes Sociais. Escreva, principalmente tudo o que você faria se não precisasse de dinheiro para sobreviver (é bem provável que descubra aí seus propósitos de vida).
13. Faça uma playlist das suas músicas favoritas e de vez em quando coloque pra ouvir, e cante junto. 
14. Tente se lembrar de tudo o que você brincava em sua infância. É maravilhoso fazer isso. Escreva, escreva (seu propósito também pode estar aí).
 
Mas, se puder, responda sem pensar muito. Apenas sinta. Tente ser o mais sincero com você possível. São exercícios mágicos e que podem mudar a forma como você vive a sua vida, se você fizer, é claro. A gente começa a entender que não importa a quantidade de coisas que você faz; o que importa é que a presença em cada uma dessas ações. Quando você começar a praticar essas dicas, maior o desempenho que iria perceber. E pode parecer intriga da oposição, mas você terá feito muito mais coisas e terá dado o seu melhor. É importante lembrar que você não precisa fazer perfeito e acertar. Não é sobre perfeição. É sobre ser a sua melhor versão. Lembre-se que a competição, se é que ela existe, é com você mesmo, em tentar ser melhor cada dia um pouco mais. Um bom resultado acontece com a prática. 
 
Boa Sorte! 
 
Bruna Pinheiro 
Por mais lógico que pareça, o maior de todos os presentes de nossas vidas, é viver no presente. E embora o próprio nome diga, que o presente é um “presente”, poucos são os que conseguem se entregar totalmente a ele, e vive-lo intensamente. 
 
De todos os conselhos e experiências que já aprendi até aqui, acredito que esta seja a verdadeira chave e segredo da felicidade. 
 
Estar no aqui, e no agora é fundamental para sermos saudáveis e felizes. Viver o presente é estar no momento de forma consciente, e inteiro. É viver um namoro, curtindo cada momento, sem projetar milhares de formas de como poderia ser o fim dele. Sem medos, sem criações de monstros, sem alimentar o que não é real. Sem cobrar de seu parceiro ser diferente, sem projetar o ciúmes em seu relacionamento. A lógica é: pensar pura e simplesmente no presente, é viver intensamente os momentos felizes, sem antecipar qualquer término. É se doar aos seus pais, é não julgar, é se permitir experimentar coisas novas. É não sofrer com a prova de amanhã, é não desejar algo que ainda não tem, e aproveitar intensamente tudo o que se tem. É uma entrega completa de sua alma, ao que realmente é verdadeiro, é viver a magia do que é real.
 
O ser humano tem a mania de viver, ou relembrando o passado, ou projetando o futuro. Ou as duas coisas ao mesmo tempo. Quando estamos com a cabeça no passado, estamos revirando as gavetas, trazendo a tona a culpa do que fizemos quando éramos imaturos, o remorso do que deixamos de fazer, as dores, as saudades, os bons tempos vividos, e que não voltam mais. Ah, como era mágica minha infância, que saudades de quando não tinha preocupações, e podia apenas brincar. 
 
Ou ainda, temos a mania de passar nosso presente sonhando com o futuro, com a casa que desejamos comprar, a viagem que gostaríamos de fazer, projetando metas, sonhos, tarefas. No café da manhã, pensamos que roupa iremos vestir naquele dia. Na reunião de trabalho, estamos pensando no que iremos almoçar, o que iremos fazer na sexta-feira a noite, ou no mês que vem. Raramente estamos de corpo e alma no que estamos fazendo, entregues ao único momento que é verdadeiramente real: o agora. 
 
Optamos por viver ou na nostalgia do que foi nosso passado, e acabamos nos deprimindo com auto-cobranças, ou até mesmo com memórias de momentos felizes que não voltam mais, de pessoas que já se foram, e assim por diante. Ou ainda, vivemos ansiosamente projetando nosso futuro, seja na pressa das boas coisas que virão, na casa que queremos conquistar, nas férias e na viagem que desejamos fazer, na espera de um amor, de nossos filhos, de nossos netos, ou ainda, na aflição do medo, de um futuro de fracassos, doenças, dificuldades financeiras, e até mesmo o medo da morte. É difícil controlar aquilo o que está por vir, e deixar estes sentimentos nos controlarem, significa escolher uma vida de ansiedade e anseios. Viver do passado é viver na depressão, enquanto só pensar no futuro, é viver na ansiedade. Nada disso faz bem. Tudo isso não se passam de ilusões da mente, e por isso digo que não é real. 
 
Lembramos de nossa infância com tanto carinho, não só porque era uma época sem preocupações e amarras da vida adulta; mas principalmente porque quando somos crianças vivemos intensamente o agora. Nos doamos ao presente. E isso é viver, sem julgamentos, sem projetarmos dores, sermos simplesmente, e nos permitirmos sentir a felicidade.
 
Não temos sequer a habilidade de garantirmos que nossos pensamentos futuros de fato acontecerão. Sofremos tanto por antecipação, que o medo do medo, acaba sendo maior que o próprio medo. Por outro lado, as saudades que projetamos são sempre de um passado perfeito; parece que nossa mente apaga o que passamos de ruim. Lembramos o que queremos lembrar, como se fossem apenas fragmentos dos bons momentos que vivemos, de um passado perfeito, mas que certamente não aconteceu exatamente como nossa memória nostálgica projeta. Tanto sobre o futuro, quanto sobre o passado,  criamos em nossa mente o irreal. E nos colocamos em posições de sofrermos com isso, ao invés de simplesmente sermos nós mesmos, no presente. 
 
Assisti a um video incrível uma vez, de Pedro Calabrez no YouTube, que partia de uma premissa muito interessante. Temos duas dimensões psicológicas: a primeira, um “eu” da experiência; a segunda, um “eu” mental. Se o tempo todo estamos pensando em algo diferente do que estamos vivendo, então ele defende a idéia de que existem 2 “eus” vivendo ao mesmo tempo: o que esta realmente sentado em uma sala de reunião, e o outro que está nesta mesma sala, porém pensando no almoço, na festa da noite anterior, ou nos presentes que precisa comprar para o natal das crianças. O seu “eu” da experiência, é o do presente. Já seu “eu” das lembranças ou projetivo, é aquele que não está no agora, e fica pensando no passado ou no futuro. Este outro “eu” está vivendo experiências mentais diferentes de onde está seu corpo físico. Ou seja, uma parte de nós vive, e a outra, pensa sobre o que viveu, ou viverá. E, segundo Pedro Calabrez, o que faz o “eu” projetivo (o que pensa) feliz, não necessariamente faz o “eu” experiencial (o que vive), feliz. O primeiro se alimenta de histórias, e desse modo, experimenta a felicidade, ou por meio de conquistas (o que se lembra do que já aconteceu), ou por meio de objetivos (e experiências que estão por vir). Já o “eu” experiencial quer simplesmente viver, e engajar com o aqui e agora. E é o engajamento que permite o entusiasmo com a vida (ou o estado de flow). E o segredo da felicidade é manter o coração de fato no presente. 
 
Pedro, explica ainda que durante nossa existência, vivemos uma curva de felicidade em “u”. E o que isso tem a ver com essa explicação dos dois “eus”? Ele explica que na infância vivemos por completo nosso “eu” do presente, como já falamos. Em torno de nossos 17 ou 18 anos, estamos no ponto mais alto da perninha do “u”, porque nosso “eu” que pensa tem muitos objetivos futuros. Estamos numa fase de pensar mais do que viver o agora (essa é a fase de pensarmos em vestibular, carreira, é a fase do amor a flor da pele e as expectativas do que está por vir, sonhos com família, viagens, e por aí vai). Depois, ao longo dos anos, a curva vai diminuindo, vamos conquistando nossos sonhos, quase já não temos destinos de férias ainda não visitados, já conquistamos a carreira dos sonhos, a casa própria, os filhos, já plantamos uma árvore, e publicamos um livro. Em torno de nossos 40 a 50 anos, ela atinge seu ponto mais baixo (a curvinha baixa do “u”); isso porque nesta fase, seu “eu” pensante já não se alimenta tanto de pensamentos de futuro (daí também, a chamada “crise da meia idade”), quando também abandonamos sonhos não vividos até então, por acharmos que o tempo já passou; e ressignificamos nossas vidas, o que é importante para nós, questionamos o passado, e toda a nostalgia que vem dele. Alguns anos mais tarde, a curva começa novamente a subir, ou seja, uma pessoa mais idosa seria mais feliz do que alguém com 35 a 40 anos. Porque a sensação de “não fiz muito até aqui” começa a passar, dando lugar a uma nova fase que é de liberdade, misturada com tranquilidade. Não temos mais a necessidade de provarmos as coisas para os outros, ou de vivermos em função do que vão pensar de nós. Já fizemos o que pudemos e quisemos fazer de nossas vidas; e voltamos a viver o presente intensamente.
 
Tudo tem sua fase, suas necessidades, e verdades. E precisamos viver cada uma delas, com erros e acertos para nos prepararmos para a próxima. Mas se soubermos que não precisamos esperar o final de nossas vidas para vivermos intensamente a felicidade, podemos encurtar anos de depressão e ansiedade. Nos pegaremos milhares e diversas vezes presos aos pensamentos do que virá, ou do que já foi. Mas tente começar a se perceber, e a retornar para o presente. Tente experimentar o presente estando alí realmente. Respire mais e vivencie para valer o agora, e perceba o entusiasmo que virá de se doar mais a quem estiver próximo de você, e menos às projeções e frustrações do que você hoje, não pode mudar. 
 
Camila Chagas